Prelúdio

Hugo, Pablo e Vitor são acadêmicos de Jornalismo Na PUC-Goiás,fotógrafos, poetas e amantes da música desde os originais Blues, Soul e Rock n' Roll, passando pelo Grunge, Industrial até o Deathmetal. Neste blog, os leitores podem conferir resenhas, reportagens e notícias acerca dos estilos musicais - já citados - na cena cultural goianiense.

terça-feira, 22 de junho de 2010

VI Tattoo Rock Fest

Goiânia se prepara para receber mais um evento de rock'n roll. Desta vez a justificativa para toda a baderna é a promoção de uma das artes preferidas pelos adoradores do bom e velho rock a tatuagem. Começa dia 2 as 20:00 e vai até dia 4 de julho, o Tattoo Rock Fest VI que terá seu palco na Feira da Estação de frete para a rodoviária.

O primeiro show será, com Devon em tributo ao Dio, um dos maiores ícones da história do rock e do metal, que faleceu dia 17 de maio. Outros grandes shows que prometem mexer com a estação são do Dr. Sin e Garage Fuzz (SP) e dos Raimundos (DF) que encerrão as três noites.

O evento também traz um campeonato de tatuagem com dezoito categorias e como prêmio moto zero km. Com mais de 60 estandes de tatuagem, pista de skate, exposições e um desfile, além de de wockshops de música, tatuagem e palestras de biosegurança e comportamento jovem.

Os ingressos são 15,00 e o passaporte 35,00. Mais informações no site www.myspace.com/tattoorockfestfestival.

Balbúrdia melódica

Por Hugo O.

Como Gorgoroth e diversas bandas de todo o mundo, Esgaroth extraiu seu nome das histórias de J.R.R. Tolkien, inspirador de magia e batalhas medievais. A horda, em sua demo entitulada The Return to the Infernal Fields, é composta por Higher Spiritually (For God Vengence¹), Legions Fight For The Conquer e Eternal War, respectivamente, além de uma introdução feita em teclado anexada a primeira faixa. Kerak Troyll (vocal), Belial Asmodeus (guitarra), Doom Agares (baixo), Ferisulfr (teclado) e Berion Yriskele (bateria), compunham a banda na época do lançamento, cuja data não foi informada.

A parte da introdução é a única que tem o mínimo de organização, pois nas outras canções os sons se confundem e formam um zumbido nada agradável. Higher Spiritually, a melhor das três faixas, se melhor gravada teria um grande potencial. Ela se inicia com uma fusão de vocais, um rasgado outro grave, que entremeia os riffs opacos de guitarra. A melodicidade de Ferisulfr só aumenta a confusão entre os sons dos instrumentos. A bateria de Berion parece disputar espaço por alguns instantes e seus blast beats se comparam a batidas de dedo em uma lata de tinta. Quanto ao baixo de Doom, imagino que siga a mesma linha que a guitarra, numa tentativa de imprimir peso, porém este nem é notável.

Ao ouvir a demo, são quatro as impressões possíveis: 1) eles fazem esse som de propósito como forma de não ceder ao Mainstreaming, 2) os músicos não têm entrosamento e ensaiaram pouco antes de gravar as músicas, 3) não tinham condições financeiras de arcar com as despesas de uma boa gravação num estúdio razoável ou 4) eles são muito ruins e devem desistir de tocar. Prefiro imaginar que é uma mistura da primeira e segunda opção, movida por um impulso punk de que qualquer pessoa pode montar uma banda. Gostaria muito que eles se organizassem e, de fato, calassem minha boca com ótimas músicas.


Leitores, caso queiram apreciar a música Higher Spiritually (For God Vengence), ela está disponível no myspace de Esgaroth:

http://www.myspace.com/thetrueesgaroth

 ¹ Isso não foi um erro de digitação, vengeance (e não vengence) é a grafia correta para vingança.

Indiscrição de Detonautas Roque Clube

Por Pablo Silva
 
A banda carioca Detonautas Roque Clube, iniciou sua carreira em meados do ano de 1997. Com a aparição do rock alternativo, e a expansão da internet, levaram a banda escrever canções que suscitam o amor, violência e corrupção, marcando assim, o caráter da banda.

Depois de muita batalha, pela divulgação de seu trabalho, conseguiram emplacar um contrato com Warner Music Brasil, que disponibilizou a gravação dos singles “Outro Lugar” e “Quando O Sol Se For”. Os discos foram um grande sucesso. E as músicas dos Detonautas ocupavam o primeiro lugar das principais rádios brasileiras.

Em 2004, a banda entra no estúdio para gravação do segundo disco. O álbum “Roque Marciano” rendeu o primeiro disco de ouro, e uns dos hits mais tocados nos shows. A música “O Dia Que Não Terminou”, retrata a violência no trânsito brasileiro, trazendo também, estatísticas que comprovam a alta taxa de mortalidade nas estradas brasileiras. No dia 06 de novembro do mesmo ano, os Detonautas subiram no palco para a gravação do primeiro DVD, que levou o mesmo nome do segundo disco.

No ano de 2006, o grupo perde o um dos seus principais guitarristas. Rodrigo Netto foi brutalmente assassinado, ao passar com seu carro numa das mais importantes avenidas do Rio de Janeiro. O assalto durou poucos minutos, no entanto, de forma covarde, os assaltantes atiraram no peito de Rodrigo que faleceu no local. Seu irmão Rafael da Silva Netto, também foi atingido por dois tiros sem gravidade. Segundo investigações da polícia, a ordem para o assalto partiu de traficantes, e entre os eles estava um menor de idade, autor dos disparos contra o carro.

Dois anos depois após a morte do guitarrista, a banda assinou um novo contrato com a gravadora Sony. No mesmo ano, eles entraram novamente em estúdio para gravarem o seu quarto disco: O Retorno de Saturno. Ao contrário do disco anterior, este contém uma influência mais leve e acústica. O disco contém canções como "O Retorno de Saturno" e "Verdades do Mundo", uma homenagem ao amigo falecido.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"O inferno volta ao Brasil"


Por Hugo F. de Oliveira

Sábado, 22 de maio, 17h, salão do DCE da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Um paradoxo, já que o que estava para acontecer nessa data, hora e local era o I Encontro das Artes Negras, promovido por Alysson Drakkar, vocalista, baterista e compositor da banda Luxúria de Lillith.

O evento contava, inicialmente, com a participação de sete bandas, Black Angel (PERU), Radamathys (DF), Esgaroth (SP), Opus Inferi (MS), WarLikke (GO), Imperius Profanus (GO) e Lúxuria de Lillith (GO), porém foi contemplado por apenas cinco delas, pois Opus Inferi e Imperius Profanus não compareceram.

Devido aos atrasos inerentes a quaisquer organizações e apresentações, nossa equipe chegou uma hora e meia mais tarde em relação ao horário marcado, com o objetivo de pular a etapa de espera. Não foi o que aconteceu. Ao virarmos a esquina do DCE esperávamos ouvir já algum barulho e movimentação, entretanto, às exatas 18h30, havia no local, apenas cinco almas embebedadas, além de ambulante vendendo comida e bebida.

Nossa primeira impressão é que o espetáculo tinha sido mal divulgado, mas ao falar com Megaira, baixista da Luxúria de Lillith, soubemos que “apesar dos esforços para fazer uma boa divulgação, o boca-a-boca ‘queima o filme’ dos eventos de Black Metal na cidade”, disse. Segundo ela, a maioria das pessoas não aprecia o estilo e, ignorantes, desestimulam seus amigos e conhecidos a comparecerem nos eventos de arte negra.

DCE

O local, conhecido por ser quente e apertado estava – desta vez – arejado. As portas que dão acesso à Área II da PUC-Goiás estavam abertas, no entanto, bloqueadas por seguranças, o que, certamente, garantiu certo conforto aos presentes. O teto de isopor e a falta de abafadores sonoros eram fatores de risco para a continuidade do evento, caso o Corpo de Bombeiros e/ou a Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA) tivessem sido informados.

O palco é pequeno, mas comportou bem os instrumentos, equipamentos e os integrantes, além da mesa de controle do som. O camarim, do tamanho de uma despensa abrigava apetrechos, como coturnos, tubos de tinta corporal, instrumentos, malas, camisetas e CDs.

A parte de fora do prédio, um corredor ladeado por um jardim de plantas pequenas, servia de sala de espera para os espectadores, que durante o longo período de atraso consumiam bebidas, cigarros e galinhada. Há comentários de que esse atraso foi estratégico para compensar com vendas o desfalque dos apreciadores.

Warlikke

Com 4h30 de atraso e com uma platéia de cerca de 60 pessoas, as apresentações tem início. A primeira banda a subir no palco foi Warlikke, de Aparecida de Goiânia. Com um som inspirado pela banda Norte-Americana Cannibal Corpse, fez muito barulho com riffs rápidos e contagiantes de guitarra e os pedais duplos de Roberto. Os integrantes mostravam boa-vontade, pois tocavam com muita energia, fazendo com que a platéia reagisse, à seu modo, com sossegadas batidas de cabeça e mãos chifradas. A quietude dos espectadores era de se esperar já que esse público tende a ser mais sério e misantropo.

Os vocais, Hugo e Roberto, que também é baterista, deixaram a desejar. Como em outras bandas de Brutal Death Metal a combinação de dois vocais consegue passar muito melhor a agressividade e maldade das letras. Porém, nesse caso, sem desmerecer ninguém, os vocalistas deveriam se dedicar a aulas de canto e ao aquecimento das cordas vocais, com o intuito de completar a parte instrumental da banda, que é muito boa.

Radamathys

Após um intervalo de 15 minutos, às 22h20 começa a apresentação da banda brasiliense Radamathys. O nome pode ter origem na mitologia Grega, em que Radamanthys ou Radamatos, filho de Zeus e Europa, era um dos juízes de Hades.

Deixando a história de lado, a banda foi a primeira da noite a aparecer vestida à caráter. Coturnos, spikes, corpse paint, artigos em couro, crucifixos e pentagramas invertidos compunham o traje dos músicos, que tocaram sete músicas, das quais cinco são extremamente boas, apesar de repetitivas. Eis a lista das músicas tocadas no encontro:

1. A Semente do Mal

2. Radamathys

3. Profanos Tormentos

4. A mando de Satã

5. Culto Negro

6. Ritual Blasfêmico

7. Cemitério Maldito

Com um vocal que lembra um pouco Abbath, da Immortal, Lord Vultures dá início à apresentação grunhindo “Nós viemos a mando de Satã!”. Essa afirmação fez o público quieto se manifestar com gritos de cunho religioso e saudações.

As músicas tinham uma melodia alegre, ao contrário de muitas bandas do estilo, que pregam suicídio e depressão em suas letras. Seus riffs de guitarra eram acompanhados pelo baixo, que imprimia peso ao som. Esses, contagiantes, fizeram com que os espectadores agitassem seus corpos segundo suas batidas, enquanto Maleficus, baterista, abusava de blast beats e pedais duplos. Os guturais de Lord Vultures, em português, são ótimos, porém vez ou outra, ele se arriscava a fazer canto lírico, que não deu certo. Cantar em nossa língua surtiu um efeito esperado, parte dos espectadores cantou suas músicas.

Melodias encorpadas pelo uso de treble picking, recurso musical que consiste em acertar com a palheta duas cordas ao mesmo tempo, característica do estilo, aludiam canções dos tempos de ancestrais pagãos.

Na sexta música, Ritual Blasfêmico, como nas outras, muita quebradeira tanto da parte da platéia, quanto dos integrantes que balançavam seus instrumentos no ar, porém, uma quebra de compasso fez a diferença. Num momento que todos já estavam acostumados com canções de melodias parecidas, todos os instrumentos, exceto o baixo, pararam. Nessa hora, apenas os seguranças não bateram suas cabeças.

Luxúria de Lillith

A horda do organizador do evento, Alysson, mais conhecido como Drakkar (vocal), sobe ao palco às 23h16 com a formação: Megaira (baixo), Larakna, Osculum (bateria), além do líder da banda. A apresentação se inicia com um prelúdio bem elaborado que não consta na playlist do novo trabalho entitulado Sucumbidos pela Carne, lançado no ano passado.

O repertório da banda consistia numa mistura de canções tanto do novo álbum quanto do penúltimo, A Volúpia Infernal. Das 11 músicas tocadas, cinco se destacam, são elas: Dia da Heresia, Profanos Beijos de Sangue, Remorsos, Delírios de Uma Orgia Noturna e Naciturus.

A velocidade das músicas é algo que chama a atenção e Osculum, muito rápido e técnico, sem dúvidas é o maior responsável por isso. Porém, os riffs de Laracna, acompanhados pelo peso do baixo de Megaira, não fizeram a platéia, antes de zumbis, se mexer e balançar suas cabeças violentamente em direção ao chão. Drakkar, um dos melhores vocalistas da noite, também tem uma presença de palco contagiante, fator que contou para que Luxúria de Lillith tivesse um dos melhores desempenhos da noite.

Esgaroth

A banda paulistana de Black Metal Melódica foi recebida com muito respeito pelos espectadores, principalmente pela tradição que tem o estado de concentrar bandas conhecidas internacionalmente, como Korzus, por exemplo.

A horda se apresenta com spikes à vontade, corpse paint preta, branca e vermelha (para dar impressão de que é sangue), portando além de uma garrafa de uísque, uma caveira de bode, o que é bem clichê. Aos toques da primeira música o som do teclado se misturava com o som dos diversos instrumentos, produzindo um ruído nada harmônico e que inspira desorganização. Por isso, apesar de os integrantes serem amigáveis e receptivos, cerca de metade dos ouvintes deixaram a sala em direção ao jardim, para esperar que as cinco músicas passassem.

A falha pode não ser somente da Esgaroth, mas também do equipamento de som e da acústica do local que não são adequadas para apresentações melódicas, que devem ser claras e harmônicas. Mas com o complô formado pelos responsáveis pelo Martim Cererê (por incrível que pareça, um dos melhores lugares de Goiânia para apresentação de shows) para dificultar o acesso de bandas de Metal ao centro cultural, quem quiser organizar eventos de música extrema deverá se dirigir aos DCEs da UFG e da PUC Goiás.

Black Angel

Às 00h55 os convidados de honra, vindos de Lima no Peru, Black Angel toma o estrado como banda principal do evento. Com corpse paint que lembra a do Adam, the first sinner, vocalista da banda polonesa de Black/Death Hate e um corte de cabelo que alude ao de Shagrath do Dimmu Borgir, o vocalista Antonio espanta os espectadores dizendo “o inferno retorna ao Brasil” com um ótimo gutural. Ao seu lado, o baixista Héctor Corpus, com um corte de cabelo galderiano*, o baterista Wilbert e o guitarrista Giomar, sem maquiagem.

Com riffs bem dosados, abusando do treble picking, bateria veloz que acompanha muito bem a música, os integrantes da Black Angel mostram muita experiência e sintonia uns com os outros, fazendo com que o resultado fosse um som encorpado, técnico, harmonioso que teve uma resposta positiva do público.

Inicialmente, a banda estava programada para tocar cinco músicas, porém, ao ver os rostos da platéia cheios de aprovação, decidiram de última hora, tocar uma saideira, que não teve seu título divulgado. As músicas que constavam no set list da Black Angel eram Return to Hell, The Last Prophecy, Occult Eternal Mystery, Temple of Wisdom e Rites. Após o cumprimento do itinerário, Wilbert faz um solo de bateria violento e em seguida presenteia a platéia com suas baquetas, enquanto a banda recebe as primeiras palmas da noite.

Quando os artistas retiraram seus equipamentos e rumaram para o camarim apertado, todos se dispersaram para fazer comentários sobre o que tinham visto e ouvido, pensando que o I Encontro das Artes Negras chegava ao fim. Mas, para grande surpresa de todos, eles voltaram para tocar uma última música. O baterista pediu de volta as baquetas que havia jogado ao público para que pudesse tocar novamente. Ao fim da música, os artistas se reuniram no palco e receberam pela segunda vez os aplausos dos espectadores.

Com pouca gente, equipamento sonoro ruim, local pequeno e sem recursos acústicos, o I Encontro das Artes Negras surpreendeu os espectadores com apresentações cheias de feeling, agressividade, técnica, interação com o público e participação de grandes nomes de fora do estado e até do país, a organização está de parabéns. Esperamos que em breve possamos assistir a eventos como esse novamente.

*alusão a Galder, guitarrista da banda norueguesa de Black Metal, Dimmu Borgir